novembro 05, 2009
Brian Bielmann
“The macho photographers who shoot fisheye, they’re all impressed by the heaviest situation,” Mr. Bielmann said. “But I don’t see it that way. I don’t look for how hard a photo was to get, I just look at the end result.”
No tempo em que parece que tudo se resume ao maior aéreo, a maior onda, o maior claiming, é bom ver o trabalho de um mestre da fotografia de surf reconhecido pelo New York Times. As fotografias estão aqui:
http://lens.blogs.nytimes.com/2009/09/21/showcase-54/
outubro 30, 2009
Então a voz

Então a voz passou por cima
do oceano
e era um som de vagas
o mesmo som ouvido nos verões
quando a luz sobre a pele
se transformava em água
outubro 29, 2009
A sério que gostei.
Este vídeo lembra-me um verso muito pouco citável de um rapper português que passo a citar: "ginásio não dá colhões."
Eu cá gostei.
Uma competição organizada em condições difíceis que obrigaram a fazer escolhas difíceis numa região - Peniche - com características difíceis de encontrar no resto do planeta e únicas no continente europeu.
Ondas que acrescentaram uma página à história do surf mundial num continente onde nunca antes se tinha surfado ondas assim. Só faltou mesmo fazer mais dias de competição em Supertubos, mas quem dera a muitas provas terem um back-up como os Belgas, o Lagido ou o Molhe Leste.
Milhares e milhares de pessoas presentes na praia todos os dias. Um público que sabia o que estava a ver e, ao contrário da maioria dos públicos, foi tanto mais exuberante por isso - e foi assim com o Owen Wright no outside ou a lenda Martin Potter no areal.
Uma porta escancarada para este mercado cujo retorno é cada vez maior. Argumentos desarmantes para vir a incluir uma nova etapa europeia no World Tour (ou substituir a etapa-problema de Mundaka) e, não menos importante, o facto de hoje - nós, europeus - aliarmos às condições naturais a capacidade de produzir atletas de excelência.
Um país que toda a gente - surfistas, comentadores anónimos ou gente que não faz surf de pé - sabe ser o melhor que a Europa tem, pelo menos no que toca a combinações felizes de sol, ondas e massa humana.
Se tivessem todos mais juízinho, deixavam-se do bota abaixo proverbial e viam as coisas como elas são. Fez-se história e fez-se cá. Os galácticos partiram pranchas, levaram um banho de humildade e viram-se intimidados como há muito não acontecia - tudo aqui na santa terrinha. Onde nada, mas mesmo quase nada acontece. E isso, meus caros, devia dar-nos um orgulho do caralho. Independentemente de se terem cometido erros, independentemente de nem tudo estar bem no surf português... yada yada yada. The Search is over - e o resto é conversa.
outubro 27, 2009
Feliz cantinho à beira mar plantado

Hoje é um daqueles dias em que apetecia ir esperar alguém ao aeroporto, se esse alguém não fosse uma onda e essa onda não quebrasse na nossa costa.
Foto: Ricardo Bravo
Bendito o fruto do vosso ventre
Supertubos. Finalmente. De hoje, sobra o mais importante, o que ali nos levou, as ondas e o surf. Sem mais conversas: esqueçam as lycras, os vencedores e os vencidos, as buzinas de heats e as contas para o título. Interessam as formas concretas e os estados de alma: a onda mutante de Martinez, a improvável redenção de Parko em Portugal, a excelência em estado liquido de Jordy Smith, a nesga de génio por onde saiu Owen Wright num tubo branco e, sobretudo, a entrega assombrosa de Fanning naqueles esplêndidos túneis de luz ao final de tarde. Cada um destes momentos terá uma história própria por contar mas, para já, só me quero lembrar dos instantes em que o horizonte ficou negro com a dimensão das ondas, da fúria com que estas desabaram na areia e das linhas memoráveis que ali foram desenhadas por alguns dos melhores surfistas do mundo.
Bendito o fruto do vosso ventre, Supertubos.
outubro 23, 2009
Portugal's Surfing Life
"But we’re not here to get excited over three foot beachies, and a well-ranked Aussie pro who didn’t have to surf Round One was more than happy to point out the flaws he saw in using the new format at this event. “There’s so much swell right through the waiting period,” he told ASL. “To send guys out when it’s like this doesn’t work for anybody. Tiago is the best thing about the contest for the locals, and (the contest directors) have denied him a chance to surf good waves ... they’ve denied the crowd the opportunity to really get behind their guy. If it was the old format you wouldn’t mind the first round going out in waves like this, or the waves we saw yesterday.” But this isn’t the sort of surf you spend months waiting for, only to be knocked in half an hour at a wave that looked like average D-bah. If it had been kegging, that would have been different. But today wasn’t kegging. Not in the contest area."
Seguindo a boa e velha tradição do jornalismo australiano, a melhor cobertura do Rip Curl Pro Search está a ser publicada do outro lado do mundo, pela Australia's Surfing Life. Obrigado ao comentador-presidente João Capucho pela sugestão. Por cá, vale a pena tirar o chapéu, perdão, a meia, ao trabalho vídeo que a Onfire está a fazer. Também o professor Adler já começou a dar lições por aqui, onde também podemos encontrar estas belas crónicas da Susana Santos.
Uma onda vale milhões
A realização de uma etapa do circuito mundial em Peniche pôs o surf na agenda mediática. É bom que isso aconteça. Uma onda vale milhões de euros e em Portugal o potencial das ondas é imenso. Num paper recente, Pedro Bicudo e Ana Horta (do IST) estimam que uma onda de qualidade possa ter um impacto no turismo na ordem dos 100 milhões de euros anuais. Faz sentido. Não apenas o número de praticantes em Portugal tem crescido bastante, como, numa sondagem recente, 90% dos europeus escolhiam o surf como o desporto que mais gostariam de experimentar. Da África do Sul à Indonésia, passando pelo País Basco, há localidades que se transformaram radicalmen- te porque tinham condições óptimas para o surf. Jeffrey's Bay, Uluwatu ou Mundaka são lugares prósperos porque se reconverteram de longínquas terras costeiras em destinos turísticos de surf. Com ganhos evidentes: desenvolveram-se (preservando a sua identidade) e encontraram um equilíbrio ambiental, obrigadas a proteger um recurso natural - uma onda de excelência. Há várias ondas em Portugal que podem funcionar como pólo de atracção do turismo de surf. Mas, como lembra o mesmo paper, em Portugal continuam a ser destruídas ondas de enorme qualidade: o Jardim do Mar na Madeira, Rabo de Peixe nos Açores ou o caso mais recente do Cabedelo na Figueira da Foz. Há autarcas sentados em cima de uma autêntica galinha de ovos de ouro, mas que, em lugar de a usarem como alavanca para o desenvolvimento, preferem destruí-la.
publicado hoje no i (que amanhã terá um suplemento de 16 páginas dedicado ao campeonato)
outubro 21, 2009
Aqua Facies

Na próxima sexta-feira, dia 23 de Outubro, na LX Factory, Ricardo Bravo inaugura a exposição Aqua Facies. Se é verdade que por estes dias andamos todos à procura de qualquer coisa mais para norte, parece-me também que há algo de muito interessante por descobrir ali para os lados de Alcântara.
outubro 20, 2009
Surf no i
Entretanto, o i continua apostado em tornar-se um excelente jornal sobre surf. é seguir o link.
A economia do surf
O surf pode ajudar a fazer uma síntese de que muitas regiões do país bem necessitam: gera novos recursos, mas contribui também para preservar recursos naturais, que tradicionalmente eram vistos como um empecilho ao desenvolvimento económico. Os bons exemplos das autarquias de Peniche e de Cascais - que têm visto no surf uma oportunidade para a criação de uma nova identidade local - bem podiam ser seguidos por muitas outras câmaras do pais que, tendo ondas de qualidade, não só não cuidam da sua protecção, como desprezam o seu potencial económico.
do meu artigo de hoje no diário económico.
outubro 19, 2009
The Search
Apontei o despertador para as 7 da manhã. Quando tocou, à hora marcada, fiz o costume: confirmei as horas, desliguei-o e dei meia volta na cama para voltar a dormir. Depois, como sempre, houve ali um ou dois segundos daquilo a que posso chamar "tempo de decisões", em que a minha consciência desperta ou não e que consiste numa pequena reflexão metafísica sobre a beleza da vida de quem acorda cedo – e que geralmente descamba na beleza do sono matinal. Desta vez, porém, despertei. Ainda era de noite, muito cedo e fazia frio como se não houvesse amanhã – ou como se este fosse numa era glaciar - mas os melhores surfistas do mundo a competirem a 40 minutos de distância foram razão suficiente para me fazer levantar da cama. Aqueles tipos são aliens e vê-los surfar ao vivo, com ou sem lycra, a dois palmos do nosso nariz, é um privilégio que não dá para desperdiçar.
E depois, é simples: os factores Saca e Slater são demasiado fortes.
outubro 17, 2009
Saca ao i, sobre Slater
É o atleta com mais jogos mentais do circuito mundial, é a maneira dele ser, estuda tudo. É um grande analista, sabe como são os adversários, como reagem em determinadas situações e perante jogos psicológicos. Para ele, o heat começa muito antes de entrarem para dentro de água. Já percebi isso e penso que o heat que fizemos em Bali foi, neste aspecto, determinante. Dizia-me pequenas coisas tipo ‘as ondas estão boas’. Só o facto de ele querer estar a entrar no meu espaço já é uma tentativa de me desconcentrar. Existem também coisas subtis que ele faz como dar umas chapadinhas na água. Quase que me molha. Não me atira água directamente mas chega tocar-me e incomoda-me. Isto é um dos jogos dele e não me deixo envolver. Agora em França quando tivemos aquele segundo heat juntos, fiz uma onda e ele fez logo outra a seguir. Quando estávamos a chegar ao pico, disseram as notas ao microfone e a minha era melhor. Ele atirou logo: ‘Fizeste algum aéreo?’, numa tentativa de me deitar abaixo, e eu, que raramente falo durante os heats, disse ‘quem me dera!’ Não cedo, não dou margem para este tipo de jogos mentais. Para se ganhar nove títulos mundiais, como ele ganhou, tem de haver momentos onde ele teve de ser manhoso. Isso faz parte da alta competição. Ele engana toda a gente. Diz que não vai aos campeonatos porque está lesionado e depois aparece na hora exacta.
excerto da entrevista do Saca, hoje ao i. para ler o resto, seguir o link.
outubro 13, 2009
Dream Tour?
A única coisa que esta etapa tem de Dream Tour é a possibilidade de devolver a Slater a esperança no seu décimo título mundial. Tudo o resto neste Billabong Pro Sopelana é um colossal, aborrecido e sonolento dejà-vu.
É ver no que dá.


